Um dia seremos nós?


       

       Pode ser que a gente nunca se transforme em nós, que não diremos sim em uma cerimônia, que não dividiremos a banana Split, que não partilharemos um restaurante preferido, e que não seja eu ao teu lado na foto da primeira viagem internacional, talvez não vejamos a quinta temporada de uma série no sofá da sala, pode ser que não venha a ser teu par de dança no baile da terceira idade, que não serão nossos os apelidos carinhosos que viremos a ter.

            É, talvez nada disso aconteça, pode ser que nossa história seja feita no hoje, e que não chegaremos a ter tempo de sermos uma dupla, mas será que já não somos mesmo sem ser? Quando dividimos a cerveja, ou dividimos a cozinha, ou dividimos o barato, já não estamos sendo nós? Já não formamos um par?

            Eu e minha mania de criar possibilidades, e imaginar todos os lados que a mesma história pode ter, essa mania de querer saber a continuação, saber o que acontece depois que a novela termina, que o livro acaba, ou quando me despeço de alguém que acabei de conhecer, essa minha necessidade de saber como as coisas se desenrolam, e encontrar o desfecho que seja mais feliz.

            Só que não somos uma novela, tampouco fazemos parte da história de um livro (talvez um dia eu escreva), acabamos de nos conhecer, não formamos um par antes, pois para isso temos que ser suficientemente inteiros separados, e não sendo, nunca conseguiremos ratear uma vida, mas somos dois, dois completos perfeitos na nossa imperfeição, se um dia seremos nós? Não faço a mínima ideia, porque nessa história eu decidi não criar possibilidades, e sim apenas vivê-la.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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