Teletransporte


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Foto: Mariana Matos

            Fazem uns 20 anos (estou ficando velha, fato), quando desejei pela primeira vez ter o poder de teletransporte, na época, eu era a Power Ranger amarela, teletransportar-me era essencial para conseguir cumprir minha missão de salvar o mundo. Desejava para mim e para meus companheiros, nós éramos os melhores power rangers da escola.

            Mas ao chegar no ensino médio, e ter que abrir mão de ser Power Ranger, não consegui abrir mão do meu desejo de super poder, queria teletransportar-me para a balada que meu pai não deixava eu ir, ativar o teletransporte no meio daquela prova ferrada, ou ainda chegar na praia que toda galera estava por teletransporte.

            Com certeza é meu superpoder favorito, ele me tiraria das horas de chá de banco nas rodoviárias, e me levaria para conhecer Londres em dois tempos, eu veria o nascer do sol de dentro de um navio, e observaria o pôr-do-sol na beira do Guaíba. Me levaria para a feira do livro de Paraty, para as vinícolas de Viña del mar, para as gôndolas de Veneza. Aii se meu desejo se realizasse.

            E nem só de paisagens deslumbrantes se baseou minha escolha por este superpoder, quis inúmeras vezes me teletransportar para longe de um paquera chato, sair de uma discussão familiar sem fundamento, ver o nascimento do filho de uma amiga, e durante toda vida foi assim, há mais de 20 anos desejo me teletransportar, para o mundo, para descobertas, para soluções, para desafios, para fugas, e enquanto meu superpoder não chega, vou indo de carro, de ônibus, de bicicleta ou a pé.

            Mas hoje, eu ainda desejo, hoje só o superpoder de teletransporte poderia acabar com essa saudade que tá doendo aqui no meu peito, não tem telefone, nem internet que dê jeito, hoje eu só queria esmagar minha saudade no teu abraço, e fazer ela parar de berrar com o teu beijo, hoje vejo o quanto faz sentido desde o começo esse meu desejo, para mim teletransporte sempre foi essencial, eu já sabia desde que era Power Ranger.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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