Te larguei de mão 2


       Acordei, olhei o celular, não haviam mensagens tuas, não haviam chamadas não atendidas, não haviam fotos contando como foi teu dia, verifiquei os e-mails e nada também, redes sociais, nada. Pensei em todas as possibilidades, roubo, falta de bateria, fora de área, nada de internet, mas todas alternativas eram praticamente impossíveis, então eu me dei conta, que nesse dia, tu não teve vontade de me contar tuas novidades, não quis me mandar fotos, e ocupou teu tempo de outras maneiras que não fosse me mandando e-mails.

       Eu já não era tão importante, e nem fazia tanta falta, essa consciência doeu, machucou por dentro, feriu, muito mais meu ego, do que meu coração, porque no fundo, bem no fundinho, eu gostava de saber que eu te tinha, mesmo que de longe, sentindo minha falta, querendo minha presença, lembrando do meu corpo, também sofro acessos de egoísmo narcísico, e tuas recorrentes aparições necessitando meu amor, faziam preencher o meu vazio, e me faziam sentir amada.

Mas parei e percebi que tua presença também já não me fazia falta, ela tinha sido substituída, não por outro alguém, mas por todas as outras coisas que me permiti fazer quando te larguei de mão, quando me dei conta que meu mundo não era o teu mundo, e que muito além do arco-íris que víamos juntos, haviam outras paisagens para ver, outros lugares para conhecer, outros momentos para viver.

       Te larguei de mão, porque eu precisava percorrer o caminho que escolhi, e tu não quis vir comigo, assim como te larguei de mão, tu me largou também, me largou de mão e largou minha mão, porque sabia que eu seguiria, mesmo que tu continuasse a segurar, percebemos que infelizmente a escolha mais feliz era largar as mãos, não pelos motivos que já sabemos de cor que fazem largarmos pessoas de mão, mas por um motivo só nosso, o de perceber que nunca poderíamos continuar de mãos dadas, fizemos escolhas, e estas escolhas, sabíamos causariam este distanciamento.

       Não fomos fracos em não insistir ficar de mãos dadas, fomos fortes de aceitar que precisamos das mãos livres se optamos por seguir, precisamos ter mãos desprendidas para agarrar as novas oportunidades. Larguei a espera, larguei tua mão, larguei o teu mundo, te larguei de mão.

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Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.


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2 pensamentos em “Te larguei de mão

  • Iolanda Maria da Cunha Prates

    Querida Camila, seus textos me fazem companhia e este em especial, como dizemos sempre, era para ter sido escrito por mim.
    Adoro o que e como você escreve. Parabéns!!!
    Que os Deuses protetores do teclado, ou do papel, ou do lápis continuem te abençoando e por sua vez, você continue me fazendo companhia.
    Grande beijo. Saudades de você.
    Landa

    • Camila Amaral
      Camila Amaral Autor do post

      Oiii Landinhaa! Obrigada, ler isso me traz uma felicidade enorme! Saber que de alguma forma o que escrevi serve para representar pensamentos me emociona muito! Obrigada novamente! Beijos, saudades!