Talvez nunca sejamos nós


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Foto: Roberta Sant’anna

 

           Pode ser que a gente nunca se transforme em nós, que não diremos sim em uma cerimônia, que não dividiremos a banana Split, que não partilharemos um restaurante preferido, e que não seja eu ao teu lado na foto da primeira viagem internacional, talvez não vejamos a quinta temporada de uma série no sofá da sala, e não venha a ser teu par de dança no baile da terceira idade, também não serão nossos os apelidos carinhosos que viremos a ter.

            É, talvez nada disso aconteça, pode ser que nossa história seja feita no hoje, e que não chegaremos a ter tempo de sermos uma dupla, mas será que já não somos mesmo sem ser? Quando dividimos a cerveja, ou dividimos a cozinha, ou dividimos o barato, já não estamos sendo nós? Já não formamos um par?

           Eu e minha mania de criar possibilidades, e imaginar todos os lados que a mesma história pode ter, essa mania de querer saber a continuação, saber o que acontece depois que a novela termina, que o livro acaba, ou quando me despeço de alguém que acabei de conhecer, essa minha necessidade de saber como as coisas se desenrolam, e encontrar o desfecho que seja mais feliz.

             Só que não somos uma novela, tampouco fazemos parte da história de um livro (talvez um dia eu escreva), e nem acabamos de nos conhecer, já formamos um par antes e não conseguimos mantê-lo, pois não éramos suficientemente inteiros separados, e não sendo, muito menos conseguiríamos ratear uma vida, mas agora somos dois, dois completos perfeitos na nossa imperfeição, e se um dia seremos nós? Não faço a mínima ideia, porque nessa história eu decidi não criar possibilidades, e sim apenas vive-la.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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