Sextas chuvosas


felipe 10

Foto: Felipe Rapaki

Mais uma semana termina, e junto com ela vem à chuva.

A chuva nunca foi um problema, gosto dela, de deixa-la molhar enquanto caminho para um lugar qualquer, meu cabelo também não é inimigo, gosta dos pingos, nunca achei ruim levar a sombrinha na bolsa, consigo enxergar o charme do chuvisqueiro.

Das sextas-feiras então, nem tenho o que falar, sou fã delas há tempos, espero ansiosa por sua chegada, como a maioria, elas sempre me dão a possibilidade de um final de semana mais longo, de companhias legais, de happys mais animados.

Mas a combinação de sexta com chuva… É o tipo de coisa que não explico, só sinto, a mistura causa uma melancolia descomunal, parece recair uma névoa de pesar, uma dor sem porque, uma nostalgia de nada. Uma depressão de momento, que só desperta em sextas chuvosas.

Procuro uma explicação, encontrar a razão desta conjunção desencadear este transtorno emocional, essa montanha russa de vazios que me ocupam, essa inexplicável vontade de optar pela solidão, de deixar as luzes apagadas, de passar o tempo ouvindo o barulho da água na janela, não há programa que anime ou presença que agrade.

Por vezes acho que é só loucura da mente desordenada que me ocupa, buscando razão ou desculpa para ficar no casulo, mas talvez, sextas chuvosas sejam a fuga dentro da rotina sufocante, talvez, sextas chuvosas sejam meu rivotril, sejam meu porre de whisky, sejam meu retiro espiritual, sejam minha sessão de psicanálise.

Suponho, que meu superego decidiu que a mistura de sexta-feira com chuva cura as dores da alma, escolheu por mim essa maneira  poética de exorcizar meus fantasmas, de enterrar minhas mágoas, de afastar minhas angústias, acho que sextas chuvosas são morfina pra alma, pois ao invés de amenizar dores físicas, elas amenizam aquelas que só sentimos, já que para essas dores, a farmácia ainda não tem aspirina que cure.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *