Sequestro


Bela na janela

Foto: Manô Campos

Tu me sequestrou.

Fez minha alma refém e roubou o meu ar.

Me aprisionou em teus braços e algemou meus sentidos.

Me colocou em cárcere privado do teu amor.

Me alimentou com teu carinho possessivo.

E nunca teve a intenção de pedir resgate.

Nunca quis me libertar das amarras da tua paixão.

Tu me sequestrou e me tirou de mim, levou meu discernimento e minha autoestima.

Me deixou na sela da obsessão que me consumia.

Me prendeu nas grades dessa loucura cega que chamava de amor.

Me trancafiou, para que eu não visse que o mundo girava, enquanto eu estava acorrentada ao teu umbigo.

Fez da tua boca minha mordaça, que me fazia dependente do teu beijo.

Fez da tua pele meu carcereiro, e só tua mão podia me tocar.

Tu me sequestrou e criou um cativeiro em que eu achava que estava livre.

Eu me deixei ser presidiária desta insanidade.

Mas sequestro sempre tem fim, com o pagamento do resgate ou a invasão do cativeiro.

Tu não pediu resgate, não havia como ser pago.

Ninguém sabia do meu sequestro, não tinham como me achar.

Mas um dia abri os olhos e percebi que o único jeito de eu ser encontrada era me encontrando, e quando me encontrei, acabou-se a prisão, acabou-se a agonia.

Me desvencilhei da tua perturbação.

Sequestro sempre acaba, com dor ou não.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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