Saber sentir


       As pessoas reclamam muito, sobre a frieza dos relacionamentos nos dias de hoje, sobre indiferença, sobre a superficialidade, sobre falta de emoção, agora me pergunto: – Elas estão sabendo sentir? Por vezes me frustro ao perceber que as pessoas simplesmente não ficam MUITO felizes, não AMAM muito, não são muito REALIZADAS, eternas insatisfeitas, sempre resmungando descontentamentos, mas será que estão se entregando e sentindo de verdade os momentos em que são postas à prova suas emoções? Ou ainda, será que estão de olhos abertos para enxergar as coisas que despertam os sentimentos?

            Vejo as criaturas encarando a vida com tanta algidez, incapazes de se emocionar com o pôr-do-sol, incapazes de ver beleza na água corrente do rio, incapazes de alimentar compaixão, esbarro com situações e pessoas incapazes de sentir, e onde estão estas pessoas que reclamam de sensações vazias? Será que elas mesmas não estão desprovidas de emoção?

            Será que temos permitido ao mundo nos transformar em seres extremamente racionais? Mudando nossos conceitos e esquecendo de que antes disso, antes de sermos eficientes, antes de sermos autossuficientes, antes de sermos “intocáveis”, somos seres emocionais?

       Se não demonstrarmos sentimentos, tampouco saberemos recebê-los, de nada adiantará compartilhar textos falando sobre a apatia das relações, se isso de fato não comover teu coração e mexer na tua alma.

            É preciso despertar os sentidos, é preciso utilizá-los, para ter propriedade ao falar de relações frias, é preciso ouvir com atenção, sentir o perfume, é preciso tocar a pele, quando estamos namorando despertamos o que há de melhor nesta relação? Fazemos o outro sentir? Enxergamos o que o outro nos faz sentir? Demonstramos nosso amor, pelos nossos amigos, pela nossa família, cuidamos deles? Apreciamos as coisas simples que fazem parte do nosso dia-a-dia?

            Então não sejamos insinceros, vamos admitir que não estamos empenhando esforços para sermos mais sensíveis, para que as relações sejam mais quentes, para que os corações sejam mais fundos, para que as interações realmente sejam diferentes, o fato é que não estamos sabendo emocionarmos, nem permitindo-nos ser tocados, não reverenciamos o que é humano, não valorizamos atitudes, não aperfeiçoamos qualidades, não enxergamos o belo, não empenhamos energia para aprofundar afinidades. Talvez não sejam as relações que estejam superficiais, talvez nós é que desaprendemos a sentir. E para voltar a ter emoção, é preciso voltar a sentir.

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Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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