Quero demais?


      Em meio há uma vida de aparências,quero naturalidade, em meio há um mundo de superficialidade, quero profundidade, em meio à promiscuidade, só quero a constância, em meio à música alta, quero a calmaria, em meio a distância, quero a proximidade, em meio a tantas mentiras, só quero a verdade.

     Em meio a tantas exigências, só quero a sinceridade, será que exijo demais? Não quero um corpo sarado, não quero que tenha muitos likes na foto de perfil, tampouco quero que tenha carro importado, não precisa uma família perfeita, não quero que fale três línguas, e nem que seja CEO de multinacional, não quero que traga presentes caros, e nem que só coma quinua importada, não precisa usar new balance e nem conhecer a Iggy Azelea, não precisa ter assistido 50 tons de cinza e nem escrever poemas, não precisa tocar violão e nem preparar um bom churrasco, não precisa consertar a fechadura e nem gostar de cachorro.

      Só que precisa querer quando disser que quer, precisa ser genuíno, precisa não arrotar esperteza. Quero que a sinceridade seja lei nas relações, pra quê fazer declarações se só quer fazer sexo, porque dizer que vai ligar se nem salvou o número, indicar livros se não quer saber a opinião, convidar pra sair se não quer dividir a pizza, sentar ao lado se não quer contemplar a paisagem, não, não precisa, não há necessidade em ser simpático só pra não perder a chance.

      Em contrapartida, é preciso ansiar quando decidir que quer, é preciso dedicação quando optar por ficar, é preciso destemor quando definir se entregar, é preciso humildade quando se declarar, é preciso sentir quando lembrar, é preciso admiração quando olhar, é preciso afinidade quando beijar, é preciso ternura quando cuidar… É preciso sinceridade para amar, sem jogos de conquista e sem preocupação em ser totalmente verdadeiro, é preciso coragem, é preciso mostrar-se, mas não só o corpo, mostrar a alma, e fundamentalmente é preciso acreditar, no sentimento, na sensação, nas palavras, no outro.

 


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *