Quem liga nosso disjuntor


      Como será possível que algumas pessoas tenham acesso à chave do nosso disjuntor, e com um simples toque liguem todos nossos sentidos, ouricem nossos pelos, sequem nossa boca, incitem aquele pensamento de: Seria muito bom, se fosse…

            É incrível, e por mais que façamos milhares de possibilidades dos porquês dessas reações, confesso que não encontro lógica nenhuma, pois se esses eventos seguissem um padrão, tivessem características chave que originassem tudo isso, poderíamos procurar fulanos e cicranas que se enquadrassem no perfil com esse poder, mas simplesmente não sabemos, acontece, apenas.

            E com isso surge outra questão, será que nós também despertamos estas sensações em alguém, e se despertamos, o certo não seria esse mesmo alguém despertar na gente, que puta sacanagem esse click não ser recíproco, não é justo da parte da pele se arrepiar por quem não se arrepia pela gente, nem é certo nossa mão suar por quem não fica nervoso com nossa presença, não é lógico perdermos as palavras, por quem nem quer nos dizer nada.

            Na jornada da solteirice, onde não nos relacionamos monogamicamente, esta sacanagem da vida fica ainda mais evidente, pois estamos mais predispostos a ter clicks e ser alvo deles, desejamos alguém que ligue nossa chave, torcendo para que a gente ligue a dela também, mas essa coisa de eletricidade não é nada fácil, coordenar partículas eletrizadas positiva e negativamente, ligar os cabos certos, cortar a corrente que está escapando pelo pólo errado.

            Perdoem-me amigos engenheiros eletrecistas, mas pra que tanta complicação com esses fluxos de cargas elétricas, esses campos eletrificados que insistem em se formar onde não há geradores para armazenar a carga, essas correntes alternadas que não decidem pra onde querem ir, esse gasto de energia com quem não gera eletricidade, essa queima de elétrons, com quem não vai nem tentar acender a luz.

            Acho que bom mesmo era na pré-história, que a energia vinha do choque das pedras, triscando uma na outra até nascer faísca, até virar fogo, talvez esse seja o segredo, talvez a precisamos friccionar as pedras ao invés de tentar ligar disjuntores, talvez aquele que insiste para acender tua faísca, tendo o cuidado de manter o fogo em chama para aquecer, seja melhor do que aquele que chega pra ligar a luz e acaba causando um curto, te deixando sem energia, sem banho quente, e com o disjuntor desarmado num completo apagão.

Nos sigam lá gente

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Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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