Pra ver se dói


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Foto: Mariana Matos

              E-mail novo na caixa de entrada, meu coração acelera ao ver que é teu, mesmo sem ter mais contato, mesmo sabendo que nós dois nunca seremos nós, mesmo a história já tendo todos os pontos finais que merecia, mesmo com tudo isso, meu coração acelera, e acelera porque foi de verdade, acelera porque tu nunca vai poder dizer que eu senti tudo sozinha, e acelera principalmente porque sei que dificilmente ele acelerará por outro alguém nessa rotação.

          Mas esse teu dom, isso que tu faz, da melhor forma que se pode fazer, o prazer de me machucar com as palavras, que tu mesmo já admitiu serem proferidas em momentos de raiva, a tua habilidade de fazer eu me sentir a pior mulher da terra e me jogar na cara que nosso amor sempre teve prazo de validade, tu me ofende com as palavras porque isso te faz bem, te engrandece na mesma proporção que me diminui, porque além de saírem da tua boca, tu sabe o valor que eu dou para as palavras.

          Tu acredita que assim me diminuindo, me apaga um pouco mais da tua memória, desfaz a minha importância, me maltrata mais uma vez, enche tua moral do meu sofrimento barato, te alimentando com isso, porque teu narcisismo nunca tem fim.

         E sabe, hoje ainda dói, mas não porque eu não te tenho, nem porque tu me mandou um e-mail pra contar que achou outra para me substituir, porque assim como tu foi único na minha vida, eu sei que vou ser única na tua, e ela tanto não substituiu que tu precisou me contar que ela existe, tu precisou ver se dói em mim, se eu vou responder e dizer o quanto tu me faz mal, e até quando tu vai querer me ver nesse inferno de sofrimento pra compensar os dias no paraíso que tu me deu.

          Mas uma hora acaba, uma hora passa tudo isso, e ninguém morre, como tu gostava de encher a boca para falar, e o que me dói ainda mais não é saber que tu está com outra, o que dói é saber que tua felicidade é falsa, porque ela se baseia em me fazer infeliz, em cavoucar minhas feridas até que elas fiquem em carne viva novamente, só que dessa vez, elas já estão cicatrizadas o suficiente para não sangrarem, e eu vou encontrar o meu novo paraíso, e tu vai ficar aí vivendo no teu inferno.

         Ficar sempre tentando espremer um pouco mais de sofrimento meu, pra poder suprir tua falsa felicidade, e é claro que ainda dói, mas não sangra mais e dessa vez eu não vou me embebedar com o teu veneno que sempre me cega, e nem te procurar desesperada pelo antídoto que me curava…


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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