Pior é não ter saudade para sentir


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Foto: Mariana Matos

É, a saudade dói, ela vai apertando o peito, e chega uma hora que parece que vai arrebentar, ela vai apertando como fazem as crianças até estourar o balão, tipo dinamite que vai queimando o pavio até explodir, ou ainda como a água que vai enchendo até romper a barragem, a sensação é a de que não conseguiremos suportar, não poderemos controlar.

É, a saudade dói. Só que saudade é sentimento brasileiro, e talvez por isso, é que a gente sinta tanto, e pensar que apesar de doída, sentir saudade é saber-se vivo, é materializar histórias, reviver lembranças. Não existe prova maior de que se sentiu, do que a saudade.

A saudade é a comprovação da amizade verdadeira, da união familiar, a saudade é comprovação da parceria da faculdade, do acalento dos lugares, saudade é a certeza de que se ama, ou se amou, a saudade, por si só, comprova que não se viveu em vão.

E quando achar que a saudade tá demais, que tá doendo pra caramba, quando parecer que ela vai te explodir, é só lembrar que saudade não é sentimento infinito e que há inúmeras formas de acalmá-la, ou ainda de esvaziá-la, a saudade pode ser amenizada com ligações ou visitas, telefonemas ou lembranças, com fotografias ou cartas.

Mas ruim, ruim mesmo, aquilo que dói de verdade, que acaba com a gente, não é sentir saudade, é não sentir falta de nada, nem de ninguém, de não ter um lugar que vá calar nosso suspiro, nem uma voz que vá acabar com nosso vazio, é não ter um café que acalme a aflição, incômodo mesmo, é não ter nada que aperte nosso peito.

Pior é não ter saudade para sentir.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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