Pingou 2


 

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Foto: Mariana Matos

– Ele tá te pingando!

      Foi o que ouvi este final de semana, no churrasco da família, depois de contar um causo entre uma cerveja e outra… Pensei sobre o que pingar significaria, e com a breve explicação que tive, entendi que pingar é algo como: deixar em banho-maria, não cagar nem desocupar a moita, não querer mas não deixar que os outros queiram, ter uma carta na manga… Ficar no controle, querer manipular os sentimentos de outra pessoa, fazer joguinhos, testes, desorganizar emoções, só para inflar o ego.

      E essa não é uma atitude isolada, e não é uma atitude limitada a ala masculina, é comum hoje em dia, homens e mulheres, todos querem atenção, querem opções, querem ver o zap zap bombando, querem curtidas na foto nova de perfil, então eles pingam, pingam para todos os lados, porque assim “garantem” ficadas quando melhor lhe convir, assim não eliminam possibilidades, não decidem por uma única alternativa. Assim, eles acabam com as oportunidades de realmente conhecer alguém, nesse pinga não pinga, quando vê já escorreu pelo ralo, e a chance de ter se dedicado um pouquinho mais, te ter investido um pouquinho mais, passou, e daí vamos em frente com os pingos que sobraram. É triste viver pingando.

      E quem pingou, pingou, porque agora vai respingar, não estou aí para jogos, nem para ser pingada, se alguém vai me pingar sou eu mesma, e se eu ficar “pingada” que seja de cachaça, não de conversas para me deixar com o pé atrás. Que eu me pingue de tinta enquanto pinto um quadro, que eu me pingue de brigadeiro enquanto mecho a panela, que a chuva me pingue enquanto caminho na rua…

    Mas, quando for para falar em relacionamento, que seja sem pingos, sem um pingo de raiva, sem lágrimas pingando, sem pingadas de meio amor. Se for pra vir que venha de uma vez, porque até se pode encher o copo de pingo em pingo, mas pra ser amor tem que transbordar, e pingos não transbordam.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.


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