“O meu Deus” 2


mare 19

Foto: Mariana Matos

            Não sigo nenhuma religião, nem sou devota de nenhum santo, mas sou uma pessoa crente, sou uma pessoa com fé, e uma coisa não anula a outra. Tive a oportunidade de ter nascido em uma família, que apesar de criação católica, nunca foi praticante, nunca vi minhas avós irem à missa, tampouco frequentei a catequese.

            Fomos batizados na igreja católica por escolha nossa, tanto eu como meu irmão já tínhamos mais de 10 anos quando recebemos a água benta na moleira, minhas amigas iam para a crisma e eu nem havia me confessado uma vez sequer, para os fervorosos pode parecer descaso, sempre sou observada com olhares de espanto quando faço este relato da minha vida.

            Porém independente de religião, o que sei com tudo isso é que “o meu Deus” nunca falhou, eu sempre acreditei que não estamos sozinhos neste plano, e que algo além planeta terra vela nossos passos, nunca fui boa em rezas, nem em palavras cristãs, minha conversa sempre foi como para um amigo, um grande amigo, que me perdoa e me orienta, me mostra os caminhos que serão melhores e que está comigo o tempo todo, mesmo quando me descuido dos meus agradecimentos.

            Um ex namorado, que observava minhas orações e meus pedidos, assim como acompanhava minha gratidão, dizia que “o meu Deus” tinha poder, porque me via pedindo tão devotadamente, e também percebia que minhas preces eram atendidas, e sempre foram mesmo, meu Deus é muito poderoso, e se meu pedido não foi atendido prontamente, é porque não era a hora certa de ser agraciada com ele.

            Religião é um dos assuntos proibidos (assim como política e futebol) por sempre gerar conflitos de opiniões, porém não conto isso como verdade absoluta e esperando que alguém siga minha crença, quero apenas ser respeitada nela, quero poder orar para o Deus que eu acredito, sem precisar de livros sagrados e sem ouvir sermões que não concordo, sem ir a cultos no domingo, e sem pagar pela minha vaga no céu, quero poder rezar quando sinto sua presença, e agradecer sua proteção, então podem chamar do que for, Alá , God, Jeová, Dios, Redentor, Dieu, Altíssimo, Gott ou Salvador, para mim ele sempre vai ser “o meu Deus”.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 pensamentos em ““O meu Deus”