Fiquei envolvidona – Devemos prestar mais atenção no Emicida 2


      Depois de toda polêmica envolvendo o clipe novo da Mallu Magalhães, “Você não presta”, a opinião mais sensata que li foi a do Emicida. Confesso que nunca dei muita moral para o trabalho dele, porém quando li este posicionamento, fiquei envolvidona, com perdão do trocadilho.

      Mas de fato ele conseguiu definir meus sentimentos em relação a hipocrisia brasileira que se acha no direito de falar sobre apropriação cultural e preconceito, como se fossem peritos no assunto. Sobre a polêmica em torno do clipe ele disse:

“Acho que há uma mania, às vezes, de salvar quem não está pedindo socorro. Você se coloca numa posição de dizer: ‘Esses bailarinos são ignorantes, não gostam de ser pretos, são cegos para sua autoestima’. Uma terceira pessoa está dizendo para eles que eles estão sendo usados.” Emicida

      Para mim a definição foi perfeita, é como dizer que por eles serem negros, não tiveram opinião em relação ao trabalho, é só pensar: porque aceitariam se sentissem que estavam sendo expostos ou mesmo alvo de preconceito? Não faz sentido, no momento que apontamos uma discriminação, sem que as pessoas que estão na situação se sintam discriminados, acredito que estamos então, propagando o preconceito.

        Além disso ele tocou em outro ponto crucial do atual cenário brasileiro, diante da vasta gama musical do Brasil, estamos ficando limitados a um único estilo, como zumbis, todos os lugares tocam sertanejo, e sem críticas ao estilo, apenas penso que tudo que limita, não serve para o bem, a entrevista completa que ele falou sobre isso está aqui.

     Por isso, mais do que nunca Emicida merece meu respeito, como artista e como ser humano, sem permitir se moldar a estes tipos de polêmicas tão rasas, que surgem, penso eu, de pessoas que gastam tempo inventando picuinhas ao invés de procurar algo para fazer que realmente faça a diferença.

       Mas falar do Emicida não se resume ao seu posicionamento em relação aos acontecimentos sociais, ele também causou quando lançou sua coleção da marca LAB no SPFW. Realizando uma quebra de padrões histórica para a moda nacional e ousaria dizer até mundial. Foi um show de representatividade e  que colocou padrões a rolar morro abaixo. Usar a moda como comunicação de fato, usá-la para quebrar paradigmas é algo pouco usado diante da grandiosidade que o mundo da moda envolve, mas acredito que esta é mais uma batalha que está sendo vencida.

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Posted by Laboratório Fantasma on Tuesday, October 25, 2016

 

      Além disso tudo, Emicida tem sido um nome falado aqui em Portugal, o rapper acompanhado do Rael da Rima, formaram um quarteto com os também rappers portugueses Capicua e Valete, o trabalho promete ser uma forma de encurtar as distâncias dos países lusófonos, e suas diferenças culturais, eles gravaram o disco entre Lisboa e São Paulo, e o resultado já está aí, o álbum “Língua Franca”.

 

Aqui vocês podem conferir este novo álbum da parceria entre Tugas e Brazucas!

      Bom gente, espero que vocês tenham gostado e que esse post sirva para iniciar uma reflexão ao nos posicionarmos, acho que o preconceito é uma linha tênue, e a busca por se tornar um ser humano melhor, inclui desde sempre, olhar para o outro como um todo, e não limitar ninguém por características, sejam quais forem. O mundo é um só, e a raça humana também é uma só, então vamos parar de encontrar motivos para separar isso ou aquilo!

      Que possamos ver o mundo pelos olhos de pessoas como Emicida e tantos outros que dentro da sua realidade conseguem enxergar o todo!

Um beijo

Camila Amaral

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Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.


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2 pensamentos em “Fiquei envolvidona – Devemos prestar mais atenção no Emicida

  • Tia Lu

    Camila querida! Teus textos lindos, cheios de emoção me passam um crescimento interior muito grande. Sempre ouvi que a escrita pode realizar esta transformação… Entendo que a vida trás alegrias e dores mas cabe a cada um saber definir como quer viver. Parabéns minha linda!

    • Camila Amaral
      Camila Amaral Autor do post

      Oiii Tia Lu!!!Aii não sabe como ler isso enche meu coração de alegria! Escrevo com ele, e acredito que se não vivermos para nos emocionarmos não faz o menos sentido! Aprendemos a cada dia, e buscar ser sempre melhor como ser humano é meu objetivo. Saber que de alguma forma consigo passar isso através da escrita me realiza muito!

      Obrigadaaa