Eu me racho a cara 2


      Definitivamente não sei ser comportada, juro que me esforço, que tento ser mais meiga, mais delicada, mas não adianta, um descuido e tô lá, pagando calcinha, rasgando a meia calça, caindo no meio da reunião, virando o pé no encontro com o boy, derrubando ketchup na roupa, quebrando a unha na lata de cerveja, criando hematoma na quina da mesa. Eu me racho a cara, talvez ainda não literalmente, mas metaforicamente, sou a mulher desastre.

       Por algum tempo isso foi motivo de sofrimento, escutar meu pai dizendo: – “deixa de ser estabanada guria!” – ou ainda – “faz as coisas com calma!” – e mais – “presta atenção no que está fazendo!”. Mas não tem jeito, não tem reza que eu faça capaz de tirar de mim essa síndrome desengonçada de fazer as coisas sempre pensando em mil outras, e acumulando muitas mini catástrofes, por onde eu passo.

     Colocar o copo em cima da mesa sabendo que existe 99% de chance de derrubá-lo, começar a desenhar sabendo que é praticamente definitiva a queda da caixa no chão, quebrando meus grafites, a queimadura é inevitável enquanto escorro o macarrão, sou assim, mas não consigo evitar, quando prevejo de um jeito, encontro outro pior de fazer a estabanação.

      Minhas amigas já tem a frase sempre pronta, já não me recriminam mais, apenas constatam, “só tu consegue amiga!”, e por mais que eu não queira admitir é fato, existem situações em que consigo o improvável sem querer conseguir aquilo, me supero na minha ansiedade, de abraçar o mundo, e meu corpo não acompanha a velocidade dos meus pensamentos, como eu disse, isso já me fez sofrer, mas hoje é mais fácil, hoje eu de certa forma “aprendi” a conviver comigo mesma, deste jeito desastrado, sem me preocupar tanto em ser uma menina meiguinha e comportada.

       A missão é saber que independente de qualquer coisa, vou honrar às vezes em que me juntaram na sarjeta, que me emprestaram roupas depois de eu manchar as minhas, em que me serviram mais vinho depois de eu quebrar a taça, vou sempre tentar ser o meu melhor, mas vou sempre agradecer aqueles que conseguem conviver com o meu desastre, eu me racho a cara, mas sempre dou um jeito de consertar ou ser consertada por quem gosta de mim, isso gera energia para superar o desafio de ser eu mesma, sem medo dos tombos e dos hematomas que a vida me reserva.

Nos sigam lá gente

Insta – @quemdiriagurias

Fanpage – Quem diria gurias

Insta Camila – @lilaemsanta


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 pensamentos em “Eu me racho a cara

  • Juuh Oliveira

    Me identifiquei muito!!!!
    Minhas colegas do trabalho falam: Acho que ta pra nascer alguém mais desastrada que ela!
    Huahuahaua
    Coisas da vida… Também já me acostumei ❤

    • Camila Amaral
      Camila Amaral Autor do post

      Simm Juhh, muito né, no começo é difícil, mas cada um é único, e não podemos nos culpar por sermos desastradas, melhor aceitar e conseguir lidar com esse desastre! Tamo junto lindona! Beijos!