Encontrar nosso lugar 2


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Foto: Felipe Rapaki

       Quando percebemos que encontramos nosso lugar no mundo? Isso é possível? Eu achava que não, que nunca me sentiria em casa, no meu chão, minha inquietude não tinha fim…

       Não gostava das cidades, não gostava das pessoas, implicava com os hábitos, achava motivos para fazer birra, dizia que não poderia passar o resto da vida naqueles lugares. Não, eles não eram suficientes, eles não me bastavam, sempre havia lacunas não preenchidas quando fazia o levantamento da vida. E a angústia nunca passava.

       Mas, de repente, por uma surpresa divina, do destino, da sorte, ou do que preferirem acreditar, descobri um lugar, uma cidade, umas pessoas que fizeram a esperança adormecida acordar. Eu sinto hoje a vontade de criar raízes, criando raízes dentro de mim, sólida, forte, me preenchendo, me consumindo e me fazendo ver a vida por outro ângulo, por outra lente.

       E se há tempos não me apaixonava, hoje sou só paixão, só amor pelo lugar que escolhi para chamar de meu. E ultimamente as surpresas aparecem todos os dias, nos detalhes, nas entrelinhas, fantasiadas de pessoas, de lugares, de sabores, de paisagens…

       E como se tudo isso não bastasse, a grande surpresa ainda me esperava. Sentir-me dentro do meu sonho de criança, dentro de uma realidade possível só na minha imaginação, tornei-a real em uma descoberta aleatória.

       Agora, enquanto escrevo, sinto-me parte do Jardim de Monet, ele que ilustrou minha infância, ele que tantas e tantas vezes me fez companhia enquanto observava suas paisagens pelas páginas do livro. Ele que, junto com este lugar novo, me fez ter vontade de descrever estes sentimentos que me ocorrem.

       Alguns dirão que estou exagerando, que meus olhos é que veem tudo isso, e eu posso responder, sem medo de errar, pois que sejam os meus olhos, que seja através deles que eu continue enxergando a beleza, pois hoje encontrei mais um lugar, dentro do lugar que escolhi que embeleza minha visão, e este olhar sobre o meu mundo ninguém pode dizer que não tenho, pois ele pertence somente a mim.

       O meu desejo maior é que todos que por vezes acharem que vejo o que não existe, descubram este imenso privilégio que eu sinto, e que encontrem as coisas que despertem o seu olhar, e que farão enxergar o belo, desejo que todo mundo tenha o privilégio de encontrar um lugar onde sinta que é o seu Jardim de Monet.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.


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