“Ele me disse vai…” e eu fui! 2


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Foto: Roberta Sant’anna

              Em uma época de egos inflados, difícil é superar o orgulho e dar um passo atrás, difícil é aceitar que vez ou outra as pessoas nos magoam, mas que isso não pode fazer com que as odiemos, nós mesmos por vezes magoamos as pessoas que amamos, e esperamos que elas nos perdoem por isso.

            Mas em uma época onde não se pode demonstrar sentimentos, pois isto representa fraqueza, nos tornamos seres com corações de pedra, não nos permitimos, não espalhamos nossos sentimentos, demonstrar o que se sente causa a sensação de inferioridade, afinal somos autossuficientes, não precisamos mendigar sentimentos, nem atenção, muito menos carinho, nos bastamos.

          E nessa mesma época, percebemos o tamanho dessa mentira, vejo por toda parte fotos felizes e corações tristes, me incluo neste grupo, não dos corações tristes, muito menos da felicidade escancarada nas fotos das redes sociais, mas no grupo dos orgulhosos, dos autossuficientes, e quando reflito sobre isso, não me sinto infeliz, aproveito muito bem os momentos, a vida, mas não amo mais da mesma forma, nesta mesma época das selfies e do check-in, me sinto forçada a criar uma armadura, é preciso estar protegido, não podemos fraquejar, não podemos deixar que invadam nosso coração.

         Devemos estar com o pé atrás, mas não por querer estar assim, mas por termos sidos forçados a nos tornarmos assim, as circunstâncias, os amores que passaram e que não ficaram, os que de certa forma usaram nosso amor sem dó nem piedade, aqueles que prometeram e que nunca tiveram a real intenção de cumprir, aqueles que arrancaram sorrisos só para arrancar nossa roupa, nos tornam mais dura, às vezes sinto até mais fria, me fizeram desacreditar, não nas pessoas, mas nos amores.

          Os mesmos amores, que tempos atrás inspiravam para escrever cartas, para planejar jantares, para aplaudir piadas sem graça, esses amores que não encontramos mais por aí, amores livres de malícia, amores doces sem possibilidade de azedar, amores leves, amores acompanhados de borboletas no estômago, onde se perderam estes amores?

          O medo de amar, e de parecer bobo, de se sentir enganado, de se dedicar a quem despertou o amor, fazem com que afastemos as possibilidades de deixar o amor entrar, as chances de se envolver, pois precisamos honrar essa capacidade de ser autossuficiente que adquirimos, que com tanto empenho batalhamos para conquistar.

          E nessas de estar/ser orgulhosa dentro da minha armadura anti-decepção, “ele me disse vai…”, e eu fui, mas quando ele me disse volta, já era tarde demais…


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.


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2 pensamentos em ““Ele me disse vai…” e eu fui!

  • Ana Paula

    Muito feliz com os textos doces e verdadeiros, os quais atinge diretamente cada individuo existente neste planeta, pois são pensamentos vividos por cada um mas não expressado, talvez por falta de tempo e coragem. Bem vinda mulher corajosa, através de seus textos conseguimos perceber que não somos únicos a pensar assim.

    Sucesso!!!!