Des-conhecer


Foto: Roberta Sant'anna

Foto: Roberta Sant’anna

           Quando o desconhecido passa a ser conhecido e o conhecido passa a ser desconhecido. Somos tomados por uma sensação estranha quando nos deparamos com situações, lugares, pessoas que eram habituais e percebemos que já não somos tão acostumados com eles.

            Quando estamos distantes, congelamos o tempo nos lugares que ficam para trás, e ao retornar acreditamos que as coisas devam estar como quando tivemos o último contato e paralisamos em nossa cabeça tudo por lá.

             Porém o tempo não para, nem para nós, nem para os lugares que não estamos, e temos que aprender a lidar com isso, perceber que as coisas também estão acontecendo, mesmo não se estando presente.

            E quando isso acontece, percebemos o quão irrelevantes somos, percebemos também o quão desconhecidas as coisas se tornam, uma amiga muda de casa, uma tia troca a cor do cabelo, a loja preferida fecha, a fachada do melhor restaurante já está desgastada,  o tempo passou, não ficou congelado como na nossa memória, e aquilo que tínhamos tanta certeza saber e conhecer bem, não está mais lá, tudo se tornou desconhecido.

         Em contrapartida o novo lugar que ocupamos, que há pouco era desconhecido, vai se fazendo conhecer, e se tornando comum, não é mais  assustador, começamos a saber o endereço da nova amiga, vemos o colega de trabalho mudar o cabelo, descobrimos a nova loja preferida, e o restaurante que inaugurou está com a pintura impecável… os desgastes que acontecerão não causarão o mesmo impacto, pois estaremos vivendo estas mudanças junto.

        Temos é que aprender a des-conhecer, aceitar que as coisas irão mudar mesmo nós estando longe, e que as escolhas que fazemos resultam em conhecer novas coisas, e des-conhecer antigas, devemos é nos dispor, se acharmos que é bom, a sempre re-conhecer as coisas que foram des-conhecidas, e entender que isso só acontece pois estamos evoluindo, e buscando encontrar aquilo que conheceremos e não des-conheceremos mais.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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