Consumido pela ideia


         Quando ela surge na sua cabeça, você nem sempre está preparado para ela, ou não está maduro para ela, ou não é a hora certa para ela, pois quase sempre, ela chega de surpresa, quando menos esperamos, às vezes em uma brincadeira com amigos, às vezes no aconchego do edredom, às vezes sob a água do chuveiro, na volta da mesa do bar, muitas vezes na leitura de um livro, ou abrindo um novo site, ou de formas ainda mais banais, caminhando na rua, comprando um pacote de bolachas, trabalhando em um projeto, comendo gelatina.

       E quase sempre, se você não está pronto para concebê-la quando surge, ela fica lá, guardada em algum cantinho da nossa memória, se fortalecendo, crescendo e ocupando mais e mais nosso pensamento, até o dia em que das duas uma, ou ela irá se apagar como se nunca nem tivesse surgido, ou ela te consumirá de uma forma que você não irá controlar, ela vai roubar tua mente, invadir teus sonhos, se entranhar nos teus pensamentos.

      E quando isso acontece, aí já era, não tem volta, pelo menos eu, quando sou consumida por uma ideia, fico no modo “meio louca”, dominada por ela, deixando que ela escolha meus caminhos, de modo a trazer-lhe a vida o mais rápido possível, de modo que ela materialize-se, tirando-a do patamar das idéias, para o estágio do mundo real, onde ela será analisada e criticada por todos aqueles que tiverem contato com ela.

      Porém, geralmente, idéias que consomem, não são simples, e não são meras idéias, elas são aquelas formadas por conteúdo, são aquelas que nascem com muita vontade de viver, aquelas que vem para fazer história, para marcar uma época, elas vem para fazer diferente, para tirar da zona de conforto, para dar frio na barriga, para desafiar.

     Talvez ela não mude o planeta, nem promova a generosidade, talvez ela não invada mais cabeças, talvez ela não seja tão boa para outros, talvez ela nem seja tão boa por ela mesma, talvez ela não dure muito tempo, talvez dure, talvez ela mude a vida de alguns poucos, talvez ela salve muitos cachorros de rua, talvez ela diminua os acidentes de trânsito, ou talvez aumente o amor próprio, não importa o tanto de poder que ela vai ter, se ela te consumiu, permita-se vivê-la, deixa ela mudar pelo menos o teu mundo!


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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