Confiança


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Foto: Roberta Sant’anna

          Em meus discursos teóricos sobre o que penso da vida, ou como encaro as pessoas que surgem nela, sempre fui pontual ao afirmar que a minha confiança não era conquistada, e sim era subtraída à medida que a pessoa não se

mostrasse digna dela. Eu proclamava que todos merecem confiança 100%, e que não deveríamos julgar, pois muitas vezes pré-concepções acabam por colocar fim em relações interpessoais, antes mesmo que elas comecem.

        Condicionei-me a receber as pessoas sempre de coração aberto, fazendo o meu melhor e acreditando no melhor delas. Assim eu agia, de acordo com minha ideologia, e claro, eu sofria mais, porque estava sempre mais vulnerável, muitas vezes as pessoas que se aproximaram de mim e aproveitaram esta condição para tirar vantagem, abusaram da minha amizade, sacanearam meu coração, deram rasteira na minha dedicação e depois de muitas decepções, eu sempre recomeçava e pensava que não podia desistir de confiar porque alguns fizeram mau uso da minha confiança, não podia desacreditar das pessoas, pois caso isso acontecesse a realidade se tornaria cruel demais.

         Mas em uma terça a noite, recebi um convite para tomar um chopp, conversa fluindo, lá estava eu de novo pensando ter colocado toda minha confiança a disposição, quando de repente reconheci o medo de me magoar tomando conta, e ouvi a frase “Confia em mim”, um choque de realidade, caiu a ficha, a confiança excessiva tinha me feito deixar de confiar, tinha levado embora meu contador de 100% que só subtraía, eu estava desiludida demais com promessas vazias e pessoas rasas, que aquele pedido pareceu-me um salto no vazio.

        A cabeça se tornou uma confusão, e minha tese até então, tão bem defendida, parecia estar escorrendo pelos dedos, era preciso rever minha teoria, era preciso reorganizar minhas certezas, me curar de todos os desapontamentos que a overdose de confiança no ser humano tinha me causado, pude perceber, que a solução, não seria deixar de confiar, nem parar de acreditar nas pessoas, nem viver na desconfiança, só que para me curar preciso encontrar alguém, que assim como eu, não queira subtrair nada do contador.

OBS.: Essa música define o sentimento!

 


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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