Certezas incertas


       

      De todas as minhas certezas a mais incerta é sobre o futuro, ou talvez de todas às minhas certezas a maior incerteza é que não tenho certeza de nada… Também não quero ser assertiva em tudo, entre o certo e o duvidoso, conheço o certo, mas sempre opto pelo controverso, a certeza de fazer todas as coisas certas tem o aterrorizante poder de acabar com a surpresa, com o inesperado, como brilho nos olhos das conquistas incertas, com as paisagens dos caminhos incertos, com todas as possibilidades da incerteza.

            É bom ter certezas, elas trazem calma, tranquilidade, mas com uma cabeça cismática, é difícil não pensar nas opções incertas, abrir mão de imaginar todas as surpresas que existem atrás das imprecisões, é como podar uma árvore fora de época, como tosar o cachorro no inverno, é cortar a unha mais do que se deve, atitudes que causam dor desnecessária, geram insegurança dispensável, as incertezas são certas quando nos fazem bem, só não podem servir para nos martirizar.

            Há pessoas que conheço que não lidam bem com a imprecisão das incertezas, eles gostam do previsível, do padrão, do correto, da asserção, preferem não arriscar, compram sempre a mesma marca de bolacha, vão no mesmo restaurante, e utilizam o mesmo tipo de meia, os adoradores das certezas seguem sempre o mesmo caminho, e tem sempre o mesmo cardápio no domingo, porque o bom da vida são as indubitabilidades.

            Porém hoje com uma cabeça incerta, mas que já viveu muitas certezas, o que me ocorre, é que certas ou incertas, decisões são um ato pessoal e intransferível, e cada um deve arcar com as consequências das suas, alguns preferem não fugir do paradigma e cumprir todas as regras, pois estas certezas asseguram sua felicidade, outros gostam das escolhas improváveis, e do frio na barriga das incertezas, mas entre certos e incertos, o importante é ser fiel ao que se acredita, e aquilo que acalma o coração, alguns precisam de afirmação! outros de interrogação? eu gosto mesmo das reticências…


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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