Cebolas não são dignas de beterrabas


       Toda vez que vejo cebola misturada a beterraba na salada, surge uma coisinha dentro de mim que não sei explicar, se é uma raivinha,  uma indignação, uma insatisfação, não consigo aceitar.  A beterraba com o seu sabor tão doce não deveria ter que dividir espaço com a acidez da cebola, a beterraba com sua cor tão hipnotizante não precisaria provar que é bonita perante a falta de cor da cebola, a beterraba que quando cortada permanece com certo volume, certa proporção não deveria ter que dividir atenções com a cebola picada a facão. Não consigo conceber, beterrabas e cebolas não deveriam nunca se misturar.

            Mas ai está o equívoco, talvez tenha sido na mistura que eu tenha percebido mais intensamente sua peculiaridade, tenha sido na mistura que eu reparei um pouco mais na sua cor, foi da mistura que surgiu meu interesse por suas formas, foi nessa mistura que me é tão inaceitável que verifiquei este abismo brutal que há entre estes vegetais, e o quanto isso se torna relevante para a vida quando observado pela ótica correta. Como nas saladas, às vezes, quando misturadas as pessoas se destacam.

            Não tenho aversão à cebola, pelo contrário gosto muito, ela tem seu valor, e harmoniza com muitas coisas, mas quando misturada com os sabores errados, a cebola se torna indigesta, perigosa, ela faz chorar e se esconde em cascas bonitas com miolos podres, ela tem muitas camadas e às mais externas por vezes não podemos aproveitar, a cebola não é confiável, às vezes ela te sacaneia, deixando mau hálito ou arrancando lágrimas.

            E por toda parte há pessoas cebolas, aquelas que se camuflam em suas cascas e nos fazem chorar, aquelas que têm o miolo podre e querem se vender pela aparência boa, aquelas que causam uma indigestão só com a sua presença, às vezes precisamos estar entre cebolas para que descubram nosso real valor, é preciso descobrir a beleza das beterrabas que se escondem. Em um mundo de cebolas é preciso ser beterraba, é preciso mostrar sua verdade, e apreciar sua beleza, sem falsos artifícios, mas utilizando suas qualidades para ser o seu melhor, para superar seus próprios desafios, e conseguir ser verdadeiro em um mundo de aparências.

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Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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