Amor fast food


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Rô de modelo!!

              Me vê um amor, com cheiro bom, barba feita, aventureiro, bem sucedido, que escute MPB e não tenha problemas familiares. No novo mundo dos relacionamentos, querem montar o par como se fosse Subway, coloca amor extra, e mais molho de felicidade, troca o surf pela escalada, e o cabelo raspado pelo coquinho. Manda embalar, é pra viagem.

                 Mesmo que a gente saiba, que nem de perto, o “sanduíche”, ficará igual ao da foto, compramos, compramos o que supomos que é o melhor, compramos aquilo que vemos na propaganda, queremos escolher o amor pela imagem, e ainda adicionar os ingredientes que estejam faltando. Vou querer de 30cm, por favor.

         E daí se não corresponder às nossas expectativas? Da próxima vez montamos com outros ingredientes, trocamos o MPB por rock, e quem sabe reconsidere o cabelo raspado, daí experimenta de novo, vai que agora a combinação deu certo. Mas se mesmo assim não gostar, devolve, manda tirar da nota, direito do consumidor, troca a mercadoria, passa outro código de barras, e tá tudo certo, não insiste, não se esforça, insistir pra quê se dá pra montar outro.

              No Subway dá, no amor não funciona assim, por mais que estejamos condicionados e acostumados com o fast food, no amor, sempre terão ingredientes que não gostaremos, porque a perfeição não é humana, porque ninguém pode ser tão completo ao ponto de suprir todas as suas exigências, nunca supriremos todas as exigências de alguém.

          Tenta vai, insiste um pouquinho, procura alguém que queira escolher os ingredientes com você, que queira montar um sanduíche em casa, tira a balada que ele não gosta, coloca mais liberdade, troca o filme por uma série, reveza o mar com a cachoeira, a possibilidade de escolher ingredientes juntos e que agrade aos dois é bem maior do que entrar de novo na fila do fast food.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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