Abrir mão do que se ama


          Entender que precisamos parar de fazer aquilo que mais amamos é uma das coisas, se não a mais, difícil de aceitarmos, conceber que não será mais possível, que aquilo que era o sentido de tudo, não faz mais sentido nenhum é perturbador. É chance de depressão, desespero, angústia, de fim da vida, pode parecer exagerado, mas são as sensações que aparecem.

            Você não quer que acabe, você ama aquilo que faz, é dedicado, disciplinado, mas não depende de você, não depende dos outros, e o destino fazendo bem seu papel, se encarrega de puxar o tapete pra descobrir se tu agüenta o tranco, se tu supera mais essa.

            Alguns agüentam, outros não, isso diferencia as pessoas, tornar uma perda sinônimo de sofrimento eterno é uma escolha, você tem a opção de encará-la como uma oportunidade, não é que não doa, é só uma preferência de viver sem sofrimento, pois assim como o acaso te separou de algo que fazia muito sentido, talvez ele também tenha preparado algo para substituir, mas para ver é preciso estar despido de sofrimento, senão só se enxerga tristeza.

            Isso acontece com hobbies, profissões, lazeres, pessoas… Às vezes por inúmeras circunstâncias que estão fora do nosso controle, precisamos abrir mão do que amamos, pois é preciso seguir a vida, é preciso encarar as transições e quando forem definitivas aceitá-las sem agonia, saber que somos capazes de encontrar novos amores, e que podemos lembrar com carinho dos que abrimos mão.


Camila Amaral

Sobre Camila Amaral

Não tenho uma história bonita pra contar, de que comecei a escrever poesia com nove anos, ou que respiro porque escrevo. Sempre gostei muito de ler, e sempre gostei muito de contar histórias, mas escrever, escrever mesmo, só se tornou recorrente quando me prontifiquei a materializar esse projeto, que hoje é meu, mas também é das minhas amigas, que tanto insistiram e me fizeram prometer que ele existiria. Mas vejo, nesse pouco tempo, que comecei a passar minhas ideias e histórias para o papel, como isso tem me feito bem, e tem me ajudado nessa busca diária de me tornar um ser humano melhor, mais cheia de alma, e mais cheia de calma, percebo como isso tem me feito enxergar o que antes não via, e observar o comportamento das pessoas infinitas vezes mais que antes. Meus escritos sempre tem muito de mim, mas também tem muito do que eu observo, ouço, aprecio e absorvo por aí, um pouco fruto da realidade, um tanto fruto da imaginação. Designer de Moda por formação, sempre pronta pra me reinventar e começar de novo, graças a Deus ideias e sonhos não tem prazo de validade, e nem limite de utilização. Sou privilegiada pelas muitas “famílias” que tenho e que ganhei ao longo dos meus vinte e poucos, me sinto especial quando percebo o tanto de gente incrível me rodeia, e são esses seres mágicos, os lugares, os cheiros, gostos, os sabores, as dores, e as alegrias, os sonhos e as realizações, o dia-a-dia e o excepcional que me inspiram e servem como fonte infinita para escrever e contar pra vocês um pouquinho de como eu enxergo esse mundão.

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